MÚSICAS DIGITAIS - ARQUIVOS MIDI

By Marcelo Gaspar

 

 

Bem, depois de alguns dias mergulhado no mundo das músicas digitais e de ter investido um punhado de dólares, aqui vai algumas informações interessantes sobre arquivos MIDI, sintetizadores, sequenciadores e outros babados para tocar uma música no teclado, gravá-la e produzir o tão sonhado CD com suas interpretações ou composições.

Para começar, MIDI quer dizer Musical Instrument Digital Interface. Essa criatura nada mais é que um protocolo que trata arquivos de sons digitalizados (não necessariamente música). Em outras palavras, é o cara que faz o computador "falar" com o teclado e vice-versa. Um parênteses, quando eu escrever teclado, leia-se teclado musical, piano, órgão e etc, não teclado do computador. Combinado?

Um arquivo MIDI em última análise é um conjunto de informações que representam um evento sonoro. Evento sonoro nada mais é do que um teclado digital produzindo algum som; as informações armazenadas são: tipo de instrumento (piano, baixo, trompete e um monte deles), notas musicais associadas ao som, tempo de cada nota, volume e etc, etc.

Sofisma: MIDI é um efeito sonoro mas nem todo efeito sonoro é MIDI.  Pensem o que quizer e podem rir !

Dito isso, tenho duas noticias; uma má e outra boa. Vamos começar pela má: um arquivo MIDI só pode ser executado através de um sintetizador e em mais nenhum outro equipamento de som. O que ! Você não tem um sintetizador? Então aqui vai a boa noticia: todo PC tem um (faz parte do Windows ou já vem com a placa de áudio) e todo instrumento musical digital (teclado, piano, etc) por si só já é um sintetizador. Isso quer dizer que um arquivo .MIDI só pode ser reproduzido em um instrumento musical digital ou no computador. Esta regra não tem exceção.

Como disse um arquivo MIDI contem informações.  Por exemplo: Quando executamos uma musica em um teclado Yamaha, e depois gravamos um MIDI, este arquivo MIDI irá conter informações sobre o teclado Yamaha e assim acontece para todas as marcas de teclado. Seria impossivel para o Windows ter os códigos de todos os teclados  contidos em seu sintetizador.  O Windows então quebra o nosso galho, tocando o MIDI com os codigos genéricos que ele possue e que nem sempre batem com os códigos de nosso instrumento.

É porisso que o MIDI quando tocado no PC soa meio metálico e artificial. 

Mandamento: Não confundais arquivo .MIDI com arquivo de música tipo .WAV, .MP3 e etc. São coisas absolutamente distintas e são processadas de forma diferente. É como comparar alhos com bugálhos. Tenha isso em mente daqui para frente e com certeza entenderá o resto com facilidade.

A partir de agora as informações dizem respeito a teclados simples. Não servem para teclados mais sofisticados que gravam um arquivo MIDI. Isto é, não precisam do computador para fazer isso. Se tiver um desses teclados de última geração, pule para o paragrafo que começa com "Bem o resto são detalhes"

Suponha que você tenha um teclado em casa e deseja conectá-lo ao computador. Existem duas maneiras de fazer essa ligação. Para começar todo teclado tem duas tomadas que são o IN e OUT. No PC pode-se conectar o teclado de duas maneiras:

1 - Via porta USB com o cabo conectado no IN/OUT do teclado

2 - Via porta GAME da placa de som com o cabo conectado no IN/OUT do teclado

Não percebi diferenças gritantes; as duas conexões funcionam muito bem. Ah ! No teclado, o cabo IN tem que ser plugado no OUT e o OUT no IN. Imagine como apanhei até descobrir isso !

Feita a conexão, você precisar de um software sequenciador. Uau ! O que é isso? Sequenciadores são programas para capturar o som que você está tocando no teclado. Captou a idéia? E não é só isso que ele faz. Em realidade os sequenciadores fazem muito mais pois são verdadeiras mesas de som ambulante, já que trabalham com trilhas, canais, partituras, filtros, efeitos sonoros e etc. Enfim, é um software poderoso que leva tempo para se dominar. Além disso, é necessário ter certa cultura musical. O que aprendi até agora foi o básico, isto é capturar uma música e gerar um arquivo .MP3. Existem vários softwares sequenciadores no mercado (todos com preços salgados) e o mais recomendado é o CakeWalk Home Studio 4.0. (http://www.cakewalk.com)

O Cakewalk possibilita até a inserção de trilhas sonoras em filmes. Demais !

Continuando... vamos imaginar que você já está com o teclado ligado ao computador e que você está iniciando a execução de uma música. O que vai acontecer de agora em diante é que a medida em que a melodia vai sendo tocada, este evento sonoro vai sendo capturado pelo sequenciador e convertido em trilhas MIDI (quantas você quiser, de acordo com os instrumentos) e trilha SOUND (uma só). Ôpa ! Trilha SOUND ? Isso mesmo. É uma trilha de áudio que mais tarde será convertida para um arquivo de música.

Um detalhe importante que perdi um tempão para descobrir. Para se obter uma trilha SOUND é preciso fazer uma outra conexão com um cabo de áudio. Sabe aquele buraquinho que tem no teclado para o fone de ouvido? Pois é, tem que se fazer uma conexão com o LINE IN da placa de áudio do PC. Isso é fundamental. O Cakewalk não

consegue gerar um arquivo .WAV ou .MP3 se não tiver uma trilha SOUND associada às trilhas MIDI. Então na trilha SOUND, antes da execução da música, você tem que

especificar entrada e saída como sendo os seus drives de áudio IN/OUT da sua placa de som. Teclados mais caros já possuem IN/OUT para áudio e desta forma você não precisa usar a tomada do fone de ouvido.

Imagine que você terminou sua brilhante performance.

Teremos então:

• as trilhas MIDI (uma para cada instrumento). Suponha que você executou uma música no teclado usando piano, bateria e contra-baixo. Teremos então 3 trilhas MIDI correspondente aos 3 instrumentos, que vão ocupar os canais correspondentes (uma trilha por canal). Por falar em canal, imagine uma televisão com todos os canais passando um programa. Você pode sintonizar um canal por vez. Certo? Então, os softwares sequenciadores possibilitam que você grave vários canais (vários instrumentos ou voz) e os escute todos ao mesmo tempo.

• trilha de ÁUDIO

Bem, o resto são detalhes. Você pode editar as trilhas MIDI, cortar, picar, colar, colocar efeitos sonoros, substituir instrumentos por outros e etc, da mesma forma que você pinta e borda com um texto no Word.

O passo seguinte será fazer um pacote com as trilhas MIDI e a trilha de ÁUDIO para gravar um arquivo .WAV ou .MP3. Isso o sequenciador faz para você através de um decodificador/codificador, vulgarmente conhecido no submundo da computação como DECODER.

Pronto, como um milagre você já tem um arquivo de som que poderá ser gravado em um CD e executado em qualquer equipamento de som, no carro e em qualquer lugar. Já pensou você dançando com a esposa(o), ou namorada(o) uma música que você próprio executou ? Você pode até ser feio(a) mas que vai fazer sucesso. Ah isso vai !