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MINHA INFÂNCIA
Eu não poderia iniciar esta autobiografia e deixar de falar principalmente
nos meus pais, responsáveis pela minha existência na Terra.
Meu pai (Alcides Oliveira Villaça) e minha mãe (Aracy Oliveira Villaça) se
casaram em Itapetininga (SP) no dia 24 de dezembro de 1930.
Eu nasci em Itapetininga no dia 18 de outubro de 1931. Nesse dia meu pai
me depôs aos pés da imagem de Santa Therezinha, fez a prece que escreveu
no livro de minha vida e que transcrevo abaixo.
“ Ao Espírito de Therezinha de Jesus”
“Bendita florzinha, Therezinha do Menino Jesus.
Aos teus pés depomos nossa filha recém-nascida. Confiamo-la a ti para que
sejas sua protetora, iluminando-lhe o caminho de sua existência terrena.
Sejas o seu fulgurante farol, com o qual há de iluminar-lhe o espírito
então compreensivo e bom, para com ele assim, possa esse anjo que
aceitamos como uma dádiva de Deus, constituir-se uma das grandes alavancas
destinadas a impulsionar o mundo para os verdadeiros dias de felicidade,
pela compreensão e espiritualização nos homens. Que o Pai nos ouça,
enchendo-te de dons e de luzes que, como protetora, transmitirás à nossa
filhinha que será por certo o anjo em sublime missão na Terra, para
espiritualizar os homens”. Assinado por papai e mamãe.
Na minha memória guardo ainda toda uma vida de lembranças queridas,
recebendo do meu pai muito carinho, apesar dos limites impostos para o meu
bem e a formação da minha personalidade. Sua austeridade foi carinhosa,
porque moldou meu caráter. Sua honestidade, honradez e conduta
irrepreensível foram exemplos vivos para minha vida. Sua parte sentimental
me envolveu com a música, poesia, leitura, teatro, tornando-me vulnerável
à emoção positiva.
De minha mãe recebi toda ternura, afago e proteção, dando-me segurança e
tranqüilidade, sendo um porto-seguro e uma asa protetora.
Lembro do início de minha vida aos 03 anos de idade, quando fui atendida
num pedido inocente pelo meu padrinho, já então doente.
Minha irmã Lygia Maria já havia nascido quando eu estava com 01 ano e 07
meses, mas eu era muito pequena e por isso não tenho essa lembrança.
Eu me recordo quando nasceu minha irmã Clélia Izabel e que meu pai veio me
buscar no quarto e à Lygia, para conhecermos a nova e pequena irmã. Eu
estava com 04 anos e 09 meses e Lygia com 03 anos e 02 meses.
No dia em que completei 05 anos, em Itapetininga, 18 de outubro de 1936,
acordei chorando com muita dor de dente e fui tratada com muito carinho e
consolada pelos meus pais.
Quando completei meu 06 anos de idade em 18 de outubro de 1937 em Tatuí
(SP), meus pais fizeram uma festa para comemorar, e meu pai escreveu uma
poesia que declamei. Eu somente me lembro do primeiro quinteto.
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“Estou alegre, estou contente,
por meus seis anos completar.
Papai, mamãe, toda gente,
seu amor não me desmente,
vejo patente no olhar.”
Fui muito aplaudida e carregada no colo por muitas amigas de meus pais.
Ainda com 06 anos, me lembro que meu pai, sentado na cadeira de balanço,
me punha no colo e cantava belas canções para me embalar, como:
Jangadeiro, Canção do gaúcho, Casa de caboclo, Sabiá e muitas outras, que
me vêm à memória, com emoção .
Todas essas recordações brotam do fundo de minh’alma e eu as vivencio
novamente com pungente saudade.
Prosseguindo com minhas anotações, me vêm à memória a continuação de
minhas lembranças.
No final de 1938 nos mudamos para Sorocaba (SP), estando eu com 07 anos.
Ficamos lá morando apenas poucos meses, porque nos mudamos em fevereiro de
1939 para Laranjal Paulista (SP) e fui matriculada e cursei o 1º ano
primário. Em setembro do mesmo ano no Cine-Teatro Paratodos cantei a
cançoneta “Bonequinha”, acompanhada ao piano por meu pai, e interpretei o
papel do 2º anão (Feliz) da opereta infantil “Branca de neve”, dirigida
também pelo meu pai.
Quando eu tinha 07 anos meu pai me deu um quebra-cabeças com imagem de
Santa Therezinha, que guardei com muito carinho e cuidado, e muitos anos
após dei às minhas netas Janyce e Fernanda .
Ainda em 1939 apresentei na exposição do Grupo Escolar de Laranjal um
trabalho bordado ; foi minha primeira professora, Dª Maria Elisa Ribeiro.
Ficamos em Laranjal até agosto de 1940, quando nos mudamos para Serra
Negra (SP), onde terminei o 2º ano primário, com a idade de 09 anos.
Declamei no Centro Espírita, no dia 03 de outubro, por ocasião do dia de
Allan Kardec, com 08 anos, a poesia de autoria de meu pai : “Jesus”.
De Serra Negra houve nova mudança, desta vez para São Paulo onde
freqüentei o Grupo Escolar “Amadeu Amaral” no Belém, estando já no 3º ano
primário, início de 1941.
Em setembro do mesmo ano nos mudamos para Jaboticabal (SP) terminando o 3º
ano , no Grupo Escolar “Coronel Vaz”, freqüentando após, o 4º ano e
tirando nessa escola o meu diploma, em 1942, com 11 anos de idade, em 30
de novembro, ofertando um ramalhete de margaridas à minha professora, Dª
Etelvina Clemêncio da Silva. Em Jaboticabal, na exposição da escola,
apresentei trabalhos bordados, li textos comemorativos no Centro Espírita,
declamei na escola por ocasião das festas nacionais, bem assim, na rádio
P.R.G.4. A maioria das poesias e textos foram de autoria de meu pai.
Discursei na noite de Natal em homenagem ao Menino Jesus e também no
aniversário de uma colega. Declamei no Centro Espírita “Caridade e Fé”, a
poesia “Deus”, todos de autoria de meu pai. Em 15 de novembro declamei no
Grupo Escolar a poesia “Meu Brasil”, de Olegário Mariano.
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Foram minhas amigas em Jaboticabal : as irmãs Aliete e Neide Barbosa e
suas primas Odete e Zenaide Barbosa.
No mês de março de 1943 nos mudamos desta vez para Monte Alto (SP) onde
iniciei minhas aulas de corte e costura com Dª Algides Marcondes Fantini,
tendo feito meu primeiro vestido em 23 de agosto do mesmo ano, e aprendi
datilografia.com o Sr. Henrique Schilitler.
No mês de novembro do mesmo ano, novamente nos mudamos para São Paulo no
bairro Itaim, me matriculando no “Ginásio Paes Leme”, com idade de 12
anos, tendo feito o exame de admissão. Comecei freqüentar o 1º ano
ginasial nessa escola.

Esta foto foi tirada logo após nos mudarmos para
Casa Branca, 1º semestre de 1948. Eu, com 16 anos, Lygia com 15 anos,
Clélia com 11 anos, Celso com um ano e meio, papai com 45 anos e mamãe com
43 anos.
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MINHA ADOLESCÊNCIA E JUVENTUDE
No início de maio de 1944 nos mudamos para São José do Rio Preto (SP) onde
continuei meus estudos, terminando o 1º ano do ginásio. Por ocasião do
cinqüentenário da cidade tomei parte no grande desfile realizado no dia 19
de julho. No Ginásio do Estado freqüentei o 2º ano, iniciei o 3º ano
ginasial, permanecendo em Rio Preto até setembro de 1946.
Comecei a aprender piano no dia 08 de novembro de 1944, com 13 anos, sendo
minha professora, Conceição Aparecida Pires.
Tomei meu primeiro banho de mar, na praia do Gonzaga, em Santos, em 14 de
janeiro de 1946, com 14 anos, em companhia de meus pais e irmãs.
Rio Preto me traz boas recordações, porque lá passei o início de minha
adolescência e tive oportunidade de fazer amizades puras com várias
colegas, principalmente com Lourdes de Moura e Dirce Frazarini Vieira.
Conheci em 1946 o adolescente Paulo Cintra Damião e tivemos uma breve,
despreocupante, sincera, inocente e verdadeira amizade, que apesar dos
poucos meses se tornou sólida e feliz. Paulo é irmão do nosso professor de
inglês, na época, Rubens Cintra Damião, um de seus irmãos mais velhos.
Guardo recordações de alguns professores : Sylvia Purita (francês),
Aureliano Mendonça (português), Riscieri Berto (latim), Auralita
(geografia) e Poly (trabalhos manuais).
Quando em setembro, eu, meus pais e irmãs nos mudamos para Jundiaí (SP),
senti muitas saudades dos meses felizes que já faziam parte de minhas
lembranças e que deram início aos muitos tesouros que guardo no coração.
Meus pais ficaram apenas dois meses em Jundiaí, porque minha mãe estava
grávida de sete meses, estávamos no hotel e não encontramos casa para
alugar.Meus pais e Clélia foram para Atibaia (SP) no início de novembro.
Eu e Lygia ficamos em Jundiaí até o final das aulas em uma pensão
familiar. Meu único irmão , Alcides Celso, nasceu em Atibaia em 28 de
novembro de 1946. Eu e minhas duas irmãs fomos um pouco “mães” para o
irmãozinho caçula, cuja diferença é de 15 anos comigo, 13 anos com a Lygia
e 10 anos com a Clélia.
Cantei no Centro Espírita “Verdade e Luz” em Atibaia, a música “Granada”,
com 15 anos, em 24 de dezembro de 1946, acompanhada ao piano pelo meu pai.
No início de 1947 nos mudamos para Campinas (SP), e eu me matriculei na 4ª
série ginasial da Escola Normal “Carlos Gomes”, onde terminei o curso, com
16 anos.
Cantei no Centro Espírita “Allan Kardec” no dia 24 de dezembro de 1947 as
canções “Granada” e “Meu Brasil”, acompanhada ao piano por meu pai.
Fui operada das amídalas em janeiro de 1948 no “Instituto Penido Burnier”.
Comecei a cursar o Pré-Normal na referida escola, mas no início de maio do
mesmo ano nos mudamos para Casa Branca (SP), porque foi oferecida ao meu
pai, a chefia do Posto Fiscal. Fui transferida da Escola Normal “Carlos
Gomes” para a Escola Normal “Dr. Francisco Thomaz de Carvalho”. Tinha eu
então 16 anos. Em Casa Branca fiz amizades sólidas e indestrutíveis, tendo
felizes recordações guardadas no mais profundo de meu ser. Foram minhas
primeiras amigas: Therezinha de Pádua Lima; Therezinha Scafi; Weyde
Therezinha Costa; Zenaide, Mariquinha e Marly Magnabosco.
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Meu pai ficou sócio da ACCP : com minhas irmãs iniciamos aulas de natação
e começamos a freqüentar o Clube Casa Branca e a parte social da ACCP. Eu
e Lygia aprendemos a dançar e assim conheci o jovem Wilson Luiz Cassiolato,
a partir de julho.
No dia 24 de outubro de 1948, começamos o nosso namoro, eu havia
completado dia 18, meus 17 anos e Wilson dia 05 de novembro completaria 18
anos. Desde o início do nosso namoro sentimos que tínhamos muita afinidade
e que chegaríamos ao casamento porque nosso amor era recíproco. Uns meses
após iniciarmos nosso namoro, fomos ao “Cine Popular”e antes do início do
filme, várias músicas eram tocadas. Quando tocaram “La cumparsita”, com
Orquestra de Francisco Canaro, eu falei para o Wilson que adorava aquela
música. Imediatamente ele se levantou, comprou e me trouxe o disco de
presente. Após mais ou menos um ano de namoro, Wilson me presenteou com
muitos discos de 78 rotações. Foram minhas preferidas após “La cumparsita”:
“Por um beijo de amor”(valsa com Nelson Novais); “Normalista”(com Nelson
Gonçalves); “Dos almas”(com Gregório Barros); “A camisola do dia”(com
Nelson Gonçalves); “Aniversário de casamento”(com Carlos Galhardo); “Tu és
mamãe e eu sou papai”(com Carlos Galhardo); “Hino ao amor”(com Wilma
Bentivegna).
Fico pensando nos desígnios de Deus : morei em tantas cidades e fui
encontrar meu companheiro querido aqui em Casa Branca. Aqui terminei o
Pré-Normal, fiz o 1º Normal e o 2º Normal.
Cantei e declamei no Asilo Colônia Cocais (Hospital de hansenianos) em 31
de outubro de 1948, com 17 anos. Em novembro do mesmo ano cantei “Granada”
no Salão Nobre da Escola Normal, acompanhada sempre ao piano pelo meu pai.
Continuei o aprendizado de piano, após a interrupção, com o Professor
Humberto Francischet, no mesmo ano.
Em fevereiro de 1949 fui operada de apendicite na Santa Casa de Casa
Branca.
No dia 29 de maio do mesmo ano, declamei em Tambaú (SP) no Centro
Espírita, “A cruz que brilha no céu”. No dia 05 de novembro, meses após,
com 18 anos cantei “Granada” no Clube Recreativo de Tambaú, sempre
acompanhada ao piano pelo meu pai.
Meu pai nos deu uma bicicleta e andávamos com o Celso que ia atrás, nos
segurando pela cintura, descendo pela Rua Coronel José Júlio, que naquela
época não tinha nenhum movimento.
Nós morávamos na Rua Manoel Martins e na entrada havia um pequeno jardim
com um chafariz no centro, que no tempo de calor nos servia como uma
pequena piscina. Tudo isso em 1949.
No dia 21 de dezembro de 1950, com 19 anos recebi meu diploma de
professora normalista, colocando nesse dia meu primeiro vestido longo. Ele
era branco, damascado, simples mas bem talhado, com uma orquídea na
cintura baixa. O penteado princesa no alto da cabeça, o colar e os
brincos, davam graça ao conjunto. Minha emoção era enorme : nunca me senti
tão feliz ; era minha primeira vitória. Wilson, na época meu namorado há
02 anos, foi meu padrinho de formatura e me acompanhou até o final do
baile, no salão nobre da Escola.
Tenho recordações felizes da minha adolescência e da minha juventude :
quantos sonhos e quantas esperanças.
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Fiquei em Casa Branca de maio de 1948 até fevereiro de 1952 quando eu,
meus pais e irmãos nos mudamos para São Carlos (SP). Wilson comentou que
quando me mudei , seus amigos falaram que o nosso namoro iria arrefecer
pela distância e falta de proximidade - ele respondeu que iria me buscar
nem que fosse no fim do mundo.
Após 04 anos de namoro, ficamos noivos : eu, com 21 anos e Wilson com 22
anos, no dia 24 de dezembro de 1952, em São Carlos.
Nos dias 06, 07 e 08 de novembro de 1953, cantei acompanhada ao piano pelo
meu pai, por ocasião da realização da 1ª Semana Espírita de São Carlos,
sendo ele o promotor da festa e presidente da U.M.E. Cantei : Maria
Bonita, Escreve-me, Valsa dos namorados, Serenata, Granada e um dueto com
meu pai

Foto da minha formatura de
“Professora Normalista” em 21 de dezembro de 1950, com 19 anos.
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MINHA VIDA ADULTA
Dias após, em 24 de dezembro, eu com 22 anos e Wilson com 23 anos nos
casamos em São Carlos. Nesse dia meu pai fez entrega do “Diário” de minha
vida, que ele anotou com detalhes, do meu nascimento até o dia do meu
casamento.
Transcrevo a primeira página do meu livro :
“Oferecimento”
“À nossa filha Therezinha que hoje deixa o lar paterno para construir o
seu ninho em obediência às leis de Deus, acompanhando o eleito de seu
coração, entregamos os fragmentos de seu passado que guardamos com muito
carinho, para que, na intimidade de seu novo lar, recorde sempre seus pais
e irmãos, continuando neste álbum registrando os acontecimentos na vida de
seus filhinhos se, por Deus for permitido possuir. Abençoamo-la com o amor
e todo o maior afeto mui carinhoso e paternal. São Carlos, 24 de dezembro
de 1953.
Transcrevo a última página escrita no livro:
“Hoje, 24 de dezembro de 1953, une-se como esposa ao jovem eleito, então
seu companheiro para a vida toda ante as leis civis, assistida por Deus,
pelo amor sincero que os une. São 14:30 horas quando fazemos entrega do
presente a nossa filha querida que parte para o seu novo Lar. Que Deus lhe
proporcione bons espíritos que hão de protegê-la e o seu amado esposo.
Terminamos, abençoando estes dois queridos filhos, com os mais ardentes
desejos puramente paternos, de uma eterna lua de mel”. Assinado: papai e
mamãe.
Meu mano Celso, que havia completado 07 anos em novembro e ainda não
freqüentava a escola, leu para nós um discurso escrito pelo meu pai.
O meu novo “Lar” teve início em Casa Branca, na Rua Manoel Martins, 297.
O nosso Lar era aconchegante com felicidade, alegria, amor e esperança.
Em março de 1954 comecei a lecionar matemática na Escola Industrial “Dr.
Francisco Nogueira de Lima” em Casa Branca no curso ginasial. Meu marido
tinha uma loja de armarinhos e confecções na Rua Coronel José Júlio número
430.
Wilson jogava futebol pela equipe da Industrial, porque ele tinha grande
amizade pelos professores, meus colegas de escola.
No dia 1º de maio de 1955 eu fiz uma palestra na Escola Industrial sobre o
“Dia do Trabalho”.
Em 24 de dezembro do mesmo ano, dia em que comemorávamos nosso 2º
aniversário de casamento, meus pais comemoraram suas “Bodas de Prata” em
minha casa, juntamente com os meus irmãos.
Fiquei grávida 03 vezes e tive 03 abortos. Meu primeiro filho, Wilson
Luiz, nasceu quase 03 anos após o meu casamento, em 23 de julho de 1956 :
nossa alegria foi enorme. Após o seu nascimento Wilson fez uma prece,
pedindo a Deus e aos protetores, pela felicidade de nosso adorado e
esperado filhinho. Em seguida ele colocou na rádio-vitrola o disco de 78
rotações, a música cantada por Carlos Galhardo “Tu és mamãe e eu sou
papai”.
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No dia 13 de dezembro de 1957, nasceu nosso segundo filhinho, Newton
César, 1 ano e 4 meses após o irmão, que veio completar nossa felicidade,
trazendo-nos muita esperança e alegria. Fizemos uma prece de agradecimento
a Deus, pedindo por ele.
Em 20 de junho de 1959, nascia Ivany Cristina, nossa única filha tão
esperada, nos trazendo muita alegria, 1 ano e meio após o Newton César.
Pedimos a proteção de Deus para ela.
Os meus três filhos nasceram pelas mãos abençoadas de Dª Francelina de
Carvalho Soares (Dona Celina), com a ajuda e proteção de Deus. Quando eu
estava grávida de 07 meses do Wilson Luiz, Dona Celina quebrou o braço
direito e teve que engessar. Em vista do ocorrido, eu ia todos os dias dar
banho nos recém-nascidos. Ela era Presidente fundadora da “Casa da Mãe
Pobre”; estava sempre na minha casa, porque além da amizade, meu marido
fazia parte da Diretoria e era de sua inteira confiança: por isso Dona
Celina acatava todas as suas opiniões e decisões.
Apesar de diversos sustos e preocupações com nossos filhos, a maior parte
era de alegria e prazer, e nossa vida transcorria normalmente com muito
amor e carinho.
Todas as noites ao colocar meus filhos para dormirem, eu lhes contava
histórias e, em seguida, eles me acompanhavam na prece que eu fazia a
Deus.
Todas as férias, meu irmão Celso vinha para Casa Branca : ele armava um
cirquinho para distrair os meus filhos (seus sobrinhos) e passava o dia
com meu cunhado Henrique, um pouco mais novo que ele, seu amigo.
Meu mano Celso participou em 1962, com 15 anos, da Gincana Kibon na TV
Record, com apresentação de Vicente Leoporace, recebendo o troféu de
melhor do mês e medalha de melhor do ano. Senti muito orgulho ao
acompanhar sua participação e o resultado final. Uma das músicas que ele
cantou foi de autoria e acompanhado ao piano pelo meu pai : À mãe
ausente”.
Em 1967, ganhei do meu mano Celso um lindo vaso de orquídeas que floresce
todos os anos no dia de meu aniversário, que conforme ele mesmo disse, é
um modo silencioso de estarmos próximos ; isso já há 40 anos.
Somente após o nascimento dos meus filhos, e já crescidinhos, foi que
consegui fazer faculdade de ciências e química, tendo condições de
lecionar ciências e matemática (ginásio) e química (colegial).
Todos os anos, por ocasião do Natal, sendo também aniversário do nosso
casamento, comemorávamos em nossa casa, montando a árvore de Natal com os
presentes, a mesa posta com as iguarias, além do bolo comemorativo, feito
por mim. Assoprávamos as velinhas e dançávamos ao som da música colocada
na rádio-vitrola, cantada por Carlos Galhardo : “Aniversário de
casamento”.
Toda véspera de Natal Newton César se vestia de Papai Noel e eu o levava
de carro, parando de loja em loja, onde ele tocava no seu acordeão de 24
baixos, músicas natalinas, tendo começado pela primeira vez em 1963, com
06 anos de idade.
A passagem do Ano comemorávamos geralmente em Campinas, na casa de meus
pais.
Nos 19 anos em que ficamos casados, éramos muito unidos e nos
valorizávamos mutuamente, dando apoio recíproco em todas as ocasiões.
Wilson me
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levava para Itobi, quando eu ia lecionar à noite e depois ia me buscar.
Era o único marido que acompanhava a esposa nas festas escolares,
inclusive formatura e bailes dos formandos.
No final de 1970, percebendo que seus negócios não iam muito bem, Wilson
me disse estar preocupado, ainda mais que nossos filhos já estavam
entrando na adolescência. Eu o acalmei dizendo que o mais importante era
estarmos todos juntos e com saúde : tudo iria dar certo. Ele respondeu que
não sabia o que seria de sua vida sem mim.
Em 11 de maio de 1972, “Dia das Mães”, meu esposo me deu um botão de rosa,
dizendo : “uma rosa para a minha rosa”. Eu estava com 40 anos ; quantas
recordações e quantas saudades.
Para mim, foi um choque terrível quando eu soube que meu esposo havia
sofrido um acidente de carro, em 16 de fevereiro de 1973 e que se
encontrava inconsciente no hospital. Pedi que mandassem buscar o
neurologista de Campinas que estava nesse dia em São João da Boa Vista.
Depois de examinado e constatada a impossibilidade de transportá-lo devido
à sua gravidade, somente me restou pedir a Deus. Foram dias de esperança,
angústia e expectativa. Dia 22, o neurologista achou melhor que ele fosse
para Campinas, no Hospital Beneficência, para tentar uma operação, porque
o encéfalo estava dilatado. Dia 23 Wilson foi operado, mas correndo
riscos. Fiquei o tempo todo ao seu lado, não conseguindo comer e nem
dormir. A música tem enorme influência em nossa vida: após o acidente
quando meu esposo foi operado da cabeça em 23 de fevereiro de 1973, na UTI
tocava muito “Bachianas nº 5” de Villa Lobos. Após o seu desencarne, por
muito tempo, eu não conseguia escutar mais essa música.
Dia 26, meu Wilson desencarnou à 15:30 horas. Apesar da dor , consegui
fazer uma prece por ele e também na hora da despedida, colocando entre
suas mãos uma foto minha, a que ele mais gostava. Após o enterro, dia 27,
Lygia e Caron me levaram junto com meus filhos, para São Paulo. Eu só
conseguia me alimentar tomando remédio para abrir o apetite. Emagreci 6
quilos em 10 dias.
Num livro de mármore, feito pelo meu cunhado Benito, marido da Clélia,
pedi que escrevesse : “ Sua presença querida jamais se afastará de nossa
lembrança”.
Tive muitos sonhos com meu marido, durante anos. Eram sonhos que me
traziam paz, consolo e força para prosseguir. Esses sonhos eram constantes
e reais.
No dia 24 de dezembro de 1978 quando comemoraríamos nossas “Bodas de
Prata”, coloquei na vitrola os discos cantados por Carlos Galhardo,
“Aniversário de casamento” e “Bodas de Prata”.
Comecei a escrever um “Diário” narrando todos os acontecimentos a partir
de 16 de fevereiro (dia do acidente). Eu conversava com o Wilson através
da escrita. Coloquei as duas alianças no dia 26 de fevereiro de 1973 e só
as tirei no dia 24 de dezembro de 2003, quando faríamos nossas “Bodas de
Ouro”. Nesse dia me lembrei muito do meu esposo, fiz uma prece de todo
coração, recordando toda nossa vida transcorrida com amor e carinho. Eu
tinha 22 anos e nas bodas de ouro eu teria 72 anos. Meu pensamento voou
incontrolável, recordando todo o meu passado.
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Escrevi acrósticos e poemas e gravei fita-cassete em sua homenagem : pelo
aniversário, Dia dos Pais, aniversário de casamento, Dia dos namorados.
Recebi mensagens de ânimo e estímulo de Francisco Cândido Xavier.
Wilson fez parte das Diretorias: Casa da Mãe Pobre; Lar Esperança; Asilo
de Inválidos; ACCP e Rotary. Após o seu desencarne me tornei sócia atuante
do Lar Esperança, sendo várias vezes 1ª secretária. Por duas vezes fui
presidente da Entidade. Na segunda vez (28/09/02 a 13/11/04), assinei o
convênio de Comodato com a FACAB, em 20/09/03. Fiz parte, como secretária,
do CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) e
do CMAS (Conselho Municipal de Assistência Social).
Rememorando e voltando um pouco, vou falar de cada filho.
Wilson Luiz, entrou com 06 anos no 1º ano do curso primário e com 17 anos
já havia terminado o científico. Prestou vestibular, entrou na Unicamp e
com 23 anos já era Engenheiro Químico.
Wilson Luiz se casou com Nilce em 21 de fevereiro de 1981 e me deram 2
netos : Renato e Flávio.
Newton César, com 06 anos já tocava piano e acordeão, fazendo
apresentações na sua escola, na rádio Difusora de Casa Branca e no Rotary.
Após terminar o curso de Jornalismo (ECA) na USP de São Paulo, foi para a
França onde ficou um ano estudando na Sorbonne. Voltou ao Brasil em 16 de
fevereiro de 1982. Mais tarde viajou para diversos países da Europa, para
os Estados Unidos, Canadá e Índia.
Ivany Cristina fez a Faculdade de Biblioteconomia e se formou em dezembro
de 1980. Ela foi responsável pela montagem da biblioteca da Faculdade de
Casa Branca e foi sua primeira bibliotecária. Prestou concurso para a
Caixa Econômica Federal, onde trabalha. Ivany Cristina me deu duas netas :
Janyce e Fernanda. Depois do nascimento da Fernanda ela se separou
judicialmente. Minhas netas me têm grande afeição, porque moraram na minha
casa por algum tempo, junto com Ivany Cristina.
Meus filhos, graças a Deus estão bem encaminhados, são honestos e
ajuizados. Eles são flores que Deus colocou em meu caminho.
Prosseguindo : no dia 04 de fevereiro de 1980, com 48 anos fiz uma
mastectomia radical (câncer de mama), na Casa de Saúde de Campinas. Fiz
radioterapia, quimioterapia e imunoterapia. Felizmente fiquei curada com a
ajuda de Deus.
Após dois anos sem escrever no meu “Diário”, em 16 de fevereiro de 1984,
com 52 anos, escrevi novamente. Os sintomas da menopausa me deixavam
desgastada e sem ânimo. Às 22:00 horas, escutando músicas de Carlos
Galhardo e “Serenata do adeus”, meu coração ficou apertado, mas percebi
que estava sendo amparada porque em seguida senti muita paz.
No dia 12 de julho de 1989, com 84 anos, minha mãe retornou à Pátria
Espiritual. Que Deus a ampare e que seu espírito progrida sempre.
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Desde 1990 resido sozinha na minha casa, na Rua José Jerônimo de
Vasconcelos, 280, porque Ivany Cristina e as netas se mudaram, após
montarem sua própria casa.
Em novembro de 1992, com 61 anos, comecei a fazer yoga devido à menopausa
e ondas de calor, fazendo também caminhadas.
Precisamente em 18 de julho de 1994, com 92 anos , meu pai voltou à Nossa
Pátria Maior. Que Dr. Bezerra de Menezes, seu mentor espiritual, o ampare
e o proteja sempre.
No ano de 1997, comecei a dar aulas de yoga, prosseguindo nesse mister até
a presente data.
Como eu fazia parte do “Grupo Literário”, comecei a escrever no jornal
local “Casa Branca Sempre” a partir de 1999, e após o falecimento de sua
Diretora, Maria Hortência de Barros Corrêa, continuo escrevendo até a
presente data na “Folha de Casa Branca”.
No dia 21/10/2000 comemorei junto com todos ex-colegas, nosso “Jubileu de
Ouro”, com um almoço. Passamos toda a tarde rememorando nosso tempo de
estudantes. Era como se todos os acontecimentos vividos, os momentos
inesquecíveis, estivessem se desenrolando novamente aos nosso olhos. Houve
distribuição de botões de rosas e passamos um “caderninho” para que cada
participante deixasse sua mensagem.
Somente após 2003 é que consegui encontrar paz total, força, alegria,
aceitando totalmente o que me foi imposto pela vida ; Wilson ficou como
uma lembrança feliz e querida. Não mais sofrimento e nem pensamento de
perda: a morte não existe. Eu estava equilibrada “Graças a Deus”.
De 1996 a 2006, durante 10 anos, não precisei tomar remédios porque a
minha mente e o meu corpo estavam equilibrados. A osteoporose que começou
a partir da mastectomia, com alimentação equilibrada, exercícios,
suplemento de cálcio e vitamina D3 (produto natural), estava e está
controlada.
Fui operada da “catarata”, vista direita, em 07/12/2004 e da vista
esquerda, em 02/08/2005, na Clínica de Olhos Dr. Moacir Cunha, em São
Paulo.
No início de março de 2005, devido ao abuso dos ciclistas que circulavam
pelas calçadas, pondo em risco a integridade física dos pedestres,
principalmente idosos, crianças e deficientes, fiz um abaixo-assinado
pedindo providências ao Poder Público. Consegui em pouco tempo mais de
1200 assinaturas, distribuindo os papéis nas escolas, casas de comércio e
amigas. Consegui na Câmara, cópia da Lei Municipal que dispõe sobre a
apreensão de bicicletas trafegando sobre as calçadas, assinada pelo
ex-Prefeito Geraldo Majella Furlani; o nome das pessoas atropeladas ou
quase atropeladas; transcrição dos artigos 43 e 74 do Estatuto do Idoso e
artigo 98 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente); parte da Ata do
CONSEG (Conselho de Segurança); documento JARI (Junta Administrativa de
Recursos de Infrações), responsável pelas notificações de infrações de
trânsito. Fiz inscrição e ocupei a Tribuna da Comunidade da Câmara
Municipal, em 17 de maio de 2005, explanando sobre os perigos das
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bicicletas nas calçadas e pedindo as necessárias providências. Ao término,
entreguei os documentos acima relacionados, mais o requerimento, ao
Presidente, sugestões para essa campanha educativa e o abaixo-assinado com
todas as assinaturas. Em seguida,
passei a palavra aos vereadores que prometeram me dar total apoio. Os
jornais da cidade: “Folha de Casa Branca” e “Jornal Casa Branca” estavam
presentes e colocaram uma matéria sobre esse assunto defendido na Tribuna,
respectivamente em 19 e 20 de maio. Fiz entrega da cópia de toda
documentação à Promotora de Justiça de Casa
Branca, pedindo providências. Fui entrevistada pelo Jornal Regional de
Ribeirão Preto em 01/06/05 ; e pela TVD de Mococa em 13/12/05.

Minha primeira família que formei após me
casar. Foto tirada em 1º de janeiro de 1964. Eu, com 32 anos, Wilson com 33
anos, Wilson Luiz com 7 anos, Newton César com 6 anos e Ivany Cristina com 4
anos.

Foto tirada em Rio Preto no 1º semestre
de 1945. Eu estava com 13 anos, Lygia com 12 anos, Clélia com 08 anos, papai com
42 anos e mamãe com 40 anos.

Minha Formatura de "Professora
Normalista - (vestido do baile - 21/12/50)

asamento da Janyce e Heverton em 1º de março
de 2008
Minha família atual; da esquerda para a direita: Nilce
(nora), Newton César (filho), Heverton (atual neto), Janyce (neta), Eu, Ivany
Cristina (filha), Wilson Luiz (filho), Fernanda (neta), Renato (neto) e Flávio
(neto)
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MINHA MATURIDADE E ATUAIS INTERNAÇÕES
Fui para São Paulo no final de julho de 2006, 74 anos, para me submeter a
uma operação : prótese total do quadril, porque eu estava com desgaste na
virilha esquerda.
No dia 12 de agosto recebi a visita do Paulo, meu amigo da adolescência,
que eu não via há 60 anos : ele foi me visitar no apartamento da minha
irmã Lygia e meu cunhado Osvaldo Caron, para desejar pleno êxito na minha
cirurgia e rápido restabelecimento.. Me entregou seu último livro com
dedicatória “Reflexões – Pensamentos” e um cartão gentil e carinhoso.
No dia 18 de agosto fui operada no Hospital Beneficência Portuguesa em São
Paulo, recebendo alta no dia 30 do mesmo mês.
Estando no apartamento da minha mana e cunhado, no dia 02 de setembro, 15
dias após minha operação, tive um Infarto Agudo do Miocárdio. Fiz um
cateterismo para desbloquear a artéria principal comprometida e foram
colocados 02 stents. Perdi 30% do músculo cardíaco. Minha recuperação foi
difícil e preocupante segundo o cardiologista. Fiquei em São Paulo até o
final de outubro de 2006, quando fui para Campinas no apartamento do meu
filho e da minha nora, lá ficando até o final de dezembro.
Finalmente, no dia 03 de janeiro de 2007 retornei à minha querida Casa
Branca.
Após o meu retorno a Casa Branca, eu e meu amigo Paulo começamos a nos
corresponder. Ele está me incentivando muito e me ensinou a escrever
trovas. Sinto-me feliz porque percebo que estou avançando aos poucos,
dando-me alegria e prazer ao colocar no papel tudo o que me vai na alma.
“Eu desnudo a minh’alma,
ao colocar no papel ...
Tudo aflora e me acalma,
me tornando bem fiel.
Há anos eu já escrevia “Pensamentos” e fazia “Acrósticos”, mas “Trovas”,
nunca havia feito.
No dia 16 de março do mesmo ano, fui para Campinas para assistir à
formatura do meu neto Renato que colou grau em Engenharia Elétrica da
Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Pucamp). Das 120
monografias, foram selecionadas 03 e o meu neto tirou o 2º lugar.
Em 16 de setembro de 2007 fui para São Paulo fazer alguns exames, porque
eu estava com problema no rim. Fui internada no Hospital Beneficência no
dia 19 e a tomografia detectou um tumor (carcinoma) no rim direito.
Antes de ir para São Paulo, em 08 de setembro, recebi do Wilson uma
mensagem falando que, apesar da imensa saudade que ele sente de mim, não
seria desta vez que eu voltaria à Pátria Espiritual. Disse que continuará
me ajudando a prosseguir, dando-me força, coragem, otimismo e equilíbrio
para que nada possa me abalar; que eu
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tenho conhecimento, sabendo que as doenças do corpo purificam a alma e que
ele estará velando por mim.
Fui operada no dia 26 de setembro sendo retirado o meu rim direito e o
ureter. Felizmente o tumor estava somente dentro do rim. Tive que fazer
vários dias de exames para ver se meu coração agüentaria as anestesias.
Recebi de Deus mais esta chance, que espero merecer. Já são quatro as
oportunidades recebidas.
Minha enfermeirinha Janyce se casou em Casa Branca, no dia 1º de março de
2008, com seu noivo Heverton. Que Deus os protejam, espalhando sobre eles
suas bênçãos, para que sejam bem felizes, com amor, compreensão,
dedicação, carinho e harmonia.
De vez em quando tenho ido para São Paulo fazer minhas revisões. Na última
revisão feita no final de maio, na tomografia apareceu um nódulo na
tireóide do lado direito, mas com a punção para fazer a biópsia, o
resultado, graças a Deus, foi negativo.
Continuo sempre lutando e com fé na misericórdia de Deus que não nos
desampara nunca, e recebendo incentivo de todos: parentes e pessoas
amigas, que me amparam sempre.
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MINHAS CONSIDERAÇÕES E REFLEXÕES
Como professora procurei cumprir com meu dever e responsabilidade,
passando aos alunos além da informação, a formação que sempre julguei
imprescindível para se ter o direito de exercer a cidadania. Tenho
portanto minha consciência tranqüila pelo dever cumprido. Para mim foi
muito gratificante receber o carinho e o respeito de meus alunos.
Como mãe e esposa, fazendo uma auto-análise, penso que transmiti muito
amor, carinho e dedicação ; muitas vezes renunciei à minha vida em
benefício dos meus entes queridos.
Após a minha aposentadoria no magistério o meu trabalho é somente como
voluntária, por isso procuro praticar o que Jesus nos ensinou : “Não saiba
a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita”.
No meu trabalho voluntário ajudo e recebo a colaboração de várias amigas ;
não vou citar o nome de todas para não ser injusta e esquecer alguns
nomes. Somente vou mencionar as que estão mais próximas de mim : Ana Maria
Zanchetta, Osnilda Paiva Aga, Maria Benedicta Lins Bagnatori, Neuza Yara
da Silva Lisboa, Neide P.M.dos Reis, Regina C.B. Moffa, Ana Lúcia Papaleu,
Elvira e Genésia Saran. Acho muito importante e me sinto feliz em poder
colaborar, porque recebo como retorno, a alegria, felicidade,
tranqüilidade e paz de consciência. É muito gratificante poder fazer
alguma coisa em favor dos que necessitam principalmente do pão espiritual.
Nossa personalidade, enquanto somos jovens, é semelhante à pedra preciosa
por lapidar. Mas o tempo, dia-a-dia nos desgasta e transforma, até que um
novo entendimento da vida nos faça brilhar o coração. Muitas vezes a
enfermidade aparece, para que nos voltemos para dentro de nós mesmos e
aproveitemos a oportunidade, no esforço laborioso da nossa renovação.
Cheguei à conclusão que : a esperança é invencível ; toda inquietação,
toda amargura, chegam e passam. A alegria e a confiança no porvir eterno,
permanecem : são bens do patrimônio divino.
Me recordo com saudades de duas amigas: Mirian Rezende Nogueira e Palmyra
Marques, desencarnadas respectivamente em 28 de dezembro de 2001 e 24 de
junho de 2005. Por ocasião do acidente do Wilson e após o seu desencarne,
as duas me deram o maior apoio e a maior força, que me ajudaram a aliviar
a grande perda. Que seus espíritos recebam sempre as bênçãos de Deus.
A vida continua além da Terra e da morte : o espírito é eterno.
Continuamos amando e progredindo sempre, recebendo alento e esperança. Se
plantamos o bem colheremos a felicidade : “Lei da ação e reação”.
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MEUS AGRADECIMENTOS
Obrigada, Senhor, pela força e proteção que eu tenho recebido de sua
bondade infinita ; pela saúde do corpo e da mente, pelas oportunidades que
ainda não mereço. Que em meu coração exista sempre amor e esperança, para
que eu possa transmitir aos que necessitam. Obrigada, meu Deus, pela
oportunidade recebida em minha vida, de continuar aproveitando esta
reencarnação, com ajuda dos protetores espirituais, dos entes queridos que
já partiram, para que eu consiga vencer esta etapa terrestre. Obrigada por
todas as oportunidades recebidas, que me fizeram crescer e valorizar a
vida, dando-me ensejo de renovação, crescimento e lapidação espiritual.
Meus agradecimentos comovidos ao grande cardiologista, Dr. José Marcos de
Góis, médico que honra a medicina, pelo nobre espírito altruísta de
dedicação e carinho ao doente que necessita de amparo. Muito obrigada pelo
incentivo e apoio, com bondade e competência ; eu lhe serei eternamente
grata e peço a Deus que o proteja sempre .
Considero o Dr. Góis
como um filho bem querido.
Sua eficiência é demais
e o respeito é merecido.
Agradeço a minha irmã Lygia que me apoiou com muita atenção e desvelo em
todas as etapas por que passei : prótese, infarto e retirada do rim e a
longa recuperação, bem como ao meu cunhado Osvaldo Caron.
Agradeço à mana Clélia, que se deslocou de Laranjal para ficar comigo no
hospital.
Agradeço ao mano Celso, pelo carinho e atenção que sempre me dispensou,
dando-me incentivo e força, bem como a minha cunhada Ayde.
Aos meus queridos Wilson Luiz e Nilce (filha pelo coração), obrigada pela
atenção e carinho durante minha permanência em Campinas.
Agradeço aos filhos queridos Newton César e Ivany Cristina, pela
preocupação e dedicação.
Agradeço aos meus três filhos queridos, que demonstraram muito carinho,
afeto e dedicação, dando-me coragem para prosseguir e não desistir.
Aos meus quatro netos, pelo apoio e carinho e à minha “enfermeirinha” pelo
muito que me ajudou. Vou mencionar o que recebi de minhas netas. Janyce
estudou e se formou em Enfermagem (USP de Ribeirão Preto) e Fernanda em
Letras e posteriormente em especialização em Literatura Brasileira (UEL –
Universidade Estadual de Londrina) tendo as duas se formado em 2003. No
convite de formatura, Janyce fez um agradecimento a mim, que me deixou
muito comovida, assim como na dedicatória do retrato que me deu. Após
fazer dois anos de residência no Hospital Erasto Gaertner em Curitiba
(oncologia) me homenageou na sua monografia. Fernanda sempre me envia
cartões de agradecimento e afeto.
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Agradeço às minhas amigas, que mesmo de longe pediam e vibravam por mim,
pelo estímulo e esperança que me transmitem sempre.
No 2º semestre de 2006 Deus colocou duas pessoas maravilhosas em minha
vida, que me ajudaram a ter ânimo e alegria : Paulo e o Dr. Góis. Dr.
Góis, médico humano, dedicado, que me trouxe muita paz e tranqüilidade.
Paulo, que me estimula a escrever e me incentiva sempre : estou até
conseguindo fazer “trovas”. Agradeço a mensagem enviada por ele após alta
que tive do hospital. “Quem já passou por situações muito difíceis, como
eu e você passamos, repensamos nossa vida, nossas lutas e sofrimentos,
nossas derrotas e vitórias, muitas vezes a sós, em um quarto de hospital.
Ninguém jamais haverá de saber tudo o que sentimos. Pensamos no que
éramos, no que somos e no que poderemos ser, se ainda tivermos vida neste
mundo. Somente Deus sabe de tudo”.
Meu agradecimento especial às minhas duas primas: Estela e Yara, que
sempre me dão força, ânimo e coragem, demonstrando muito carinho e
atenção.
Agradeço a Deus pela família, amigas e o amigo que revi após tantos anos e
que prossegue me incentivando. Com tanto incentivo eu já escrevi mais ou
menos 500 trovas, 250 pensamentos, 30 poemas e muitos acrósticos.
As boas lembranças tocam nossa alma. É bom saber que somos queridos, pois
nos estimula a lutar, a viver e bem.
Minh’alma se alegra com tanto carinho, delicadeza, emoção que sinto
através dos versos, músicas e flores, que preenchem todo o âmago do meu
ser.
Músicas, músicas, músicas,
embalam o meu viver ...
Melodias tão românticas,
não me deixam esmorecer.
Foram dedicadas a mim
Pela mana Clélia, o poema “Perfil de alguém especial”
Pelo meu filho Newton César, o poema “No retrato e no coração aberto”
Pelo mano Celso, do seu livro “Viagem de trem”, o poema “Penélope”
Pelo Paulo, algumas trovas
Encerro esta autobiografia, experimentando grande alegria e me sentindo
realizada com o sucesso e felicidade dos filhos e netos. Agradeço a Deus
por ter conseguido superar os obstáculos da minha vida e me sentir
vitoriosa, com tantas graças recebidas. Agradeço a todos que me ajudaram.
Esta síntese autobiográfica somente consegui escrever, devido ao estímulo
que recebi do querido mano Celso e cunhada Ayde, que me incentivaram e
confiaram em mim. A eles, o meu muito obrigada. Agradeço de coração ao
mano Celso o lindo e comovente “Prefácio” que me fez, apresentando esta
singela “Autobiografia”.


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