EU ESTOU FELIZ, ESTOU CONTENTE,

                        ESTOU AJUSTADA

 

Ditada por um espírito desencarnado: Gra ças a Deus, graças a Jesus, por permitirem que eu continuasse viva após a morte do corpo!

Que coisa extraordinária é o fenômeno da morte, e a gente passa a vida inteira temendo a morte, como se ela fosse a separação eterna dos familiares, como se fosse o fim de todos e de tudo.

Eu estou feliz, estou contente, estou ajustada. É verdade que passei  por mal momentos logo que aqui cheguei; eu não estava segura do que estava se passando comigo; poderia ser um sonho, poderia ser um internamento rápido proveniente daquele mal súbito que eu senti.

Dormia muito profundamente; não era aquele sono habitual; era um sono repousante, tranqüilo, restaurador, mas eu sempre acordava espantada, porque, além de estar fora dos meus cômodos, não havia nenhum familiar ou amigo por perto.

O interessante é que eu sabia que havia morrido, mas acho que por força do hábito de sempre pensar na morte como sendo o eterno descanso para a alma, eu ficava em dúvida se aquela seria a minha verdadeira morte, porque eu não era alma, eu continuava sendo a mesma pessoa, eu sentia frio, sono, fome e muita vontade de voltar para casa. Em casa eu estava habituada a viver, eu me determinava, eu conhecia tudo, sabia onde encontrar as coisas de que eu necessitava e me locomovia sozinha.

Os primeiros momentos foram muitos embaraçosos, principalmente por eu não saber se aquela era a morte verdadeira ou se era o primeiro estágio. Felizmente as coisas foram se acomodando e hoje sinto-me completamente ajustada.

Saudade eu sinto muita e parece-me até que aumenta com o passar do tempo e com o retorno à lucidez da mente, mas eu estou bem; não sinto mais aquela sensação de frio que me dava a falta do corpo físico, sentia falta do corpo como sentimos a falta de um capote no inverno. Por muito tempo senti verdadeira impressão de andar despida a até constrangimento eu sentia. Era incrível a falta que eu sentia do corpo, daquela capa densa, compacta, quente e cujo peso dava a sensação de segurança e firmeza.

Agora sou leve, mas meu corpo continua completo, não falta nenhum pedaço, meus órgãos estão também completos, mas eu sou leve, muito leve mesmo. Estou aprendendo a me vestir convenientemente e a me locomover, tudo isso pela força do pensamento.

Eis aí uma coisa que, por ignorância, nós não utilizamos devidamente na Terra, que é a força do pensamento, o que viria a nos facilitar a realização de uma porção de coisas e evitar outras tantas que nos eram prejudiciais.

Porém, essa força deverá ser educada, disciplinada e canalizada só para o bem; é o que eu estou aprendendo a fazer atualmente.

Estou muito feliz por não ter morrido e também por ser espírito, porque, além de eu não estar cem por cento segura de que iria para o descanso eterno, penso que, se eu fosse guindada aos Céus, me sentiria triste, muito triste mesmo em viver recostada numa poltrona, rezando e falando baixinho, tal qual uma alma penada.

Eu estou muito feliz por ser a morte como é, por continuar como sou e por estar onde estou.

Sei muito pouco das coisas daqui, tenho apenas alguma informações, mas dá para eu me sentir feliz, porque aqui há luz, ar puro, flores, música suave, musica sacra; aqui há vida, aqui há muita gente moça, gente saudável, alegre, felizes trabalhadores dinâmicos, coisas que nos fazem sentir prazer em viver aqui.

Foi observando tudo isso e toda essa gente moça que me senti reconfortada e me ajoelhei para agradecer a Deus a graça de continuar vivendo em meio a tanta gente saudável, educada e carinhosa. Fui recebida como um membro da família que retornava de uma longa viagem, e eu me senti muito bem e muito a vontade com todas essas manifestações de apreço; apenas ainda não sei explicar o porque de ser assim. Presumo que tenha havido ligações anteriores, das quais eu ainda não me recordo.

A partir dessas observações, eu nunca mais chorei de saudade, nem pedi para voltar para a casa terrena, coisa que fiz insistentemente durante muito tempo.

Compreendi que esse era um comportamento egoísta; afinal eu tinha vivido uma experiência razoavelmente longa na Terra e já estava na hora de retornar mesmo e de dar graças a Deus por não ter dado maiores preocupações aos filhos e amigos, além do pequeno susto por haver me retirado de casa na calada da noite.

Se os moços estão conformados, qual a razão de eu não me conformar também?

Afinal eu já havia cumprido minha missão na Terra e muitos dos meus familiares já haviam retornado; eu apenas não tive notícias deles. Mas quanto a isso eu estou tranqüila, porque eu continuo viva, eles continuam vivos também; então é uma questão de tempo, vou aguardar com calma. Infelizmente, nós só nos preparamos para viver na Terra, como se ali fosse o princípio e o fim de tudo.

Esse negócio de descanso eterno nada mais é do que uma forma muito cômoda de se pensar, é o mesmo que dizer: depois da separação eu nada tenho a haver com o futuro de minha alma. É falta de interesse e também medo de enfrentar a responsabilidade.

Sinto não ter vindo preparada, não ter trazido junto à minha pequena bagagem algumas informações mais sólidas a respeito da continuação da vida. O pouco que li, gostando, embora não acreditando cem por cento, de muito tem me servido!

Hoje lamento não ter dedicado maior apreço àquelas singelas, porém sublimes informações.

Sou profundamente grata por haver contatado com aquelas informações, porque elas contribuíram muito para eu compreender a metamorfose que sofri.

Sinto não ter elementos para explicar, pois como disse, eu ainda não fui além das informações primárias; mas posso afirmar que o fenômeno da morte é verdadeiramente extraordinário. Não sei se para todos acontece o que está acontecendo comigo; isso eu confesso que não sei mesmo!

O fenômeno é tão extraordinário, que até hoje tenho dúvidas que eu tenha morrido mesmo, porque em tudo eu continuo sendo eu mesma e com boas perspectivas de melhorar muito mais.

Confesso que isso me agrada sobremaneira, porque eu sempre achei que seria muito triste ficar velha e inválida. Meu desejo sempre foi o de viver, viver, viver e depois morrer de repente.

Pois Deus me atendeu. Muito obriga meu Deus, meu Pai Eterno. Muito obrigada a todos vocês, que me escutaram com carinho e atenção. Muito obrigada pela felicidade que esses rostos sadios, alegres, doces e suaves me transmitem, porque eles são testemunhos da vida e da paz que reina aqui; eles são o testemunho de que todos nós estamos vivos; são o testemunho de que a vida continua.

                                                     

IRENE