O MOMENTO DA MORTE

 

Após a morte, nós voltamos a ser espírito desencarnado, ou seja, voltamos à nosso estado de liberdade sem o peso do corpo carnal. Ainda somos nós mesmos e fica conosco só a lembrança e o desejo de ir para um mundo melhor. Este lembrança pode ser amarga ou doce, de acordo com o que foi a nossa vida terrena. É por isto que quanto mais puro, mais o espírito compreenderá o quanto é fútil o que deixamos na Terra.

Quando se diz que voltamos ao todo universal e que a alma perderia a sua individualidade, se pensa errado, porque realmente voltamos ao todo, mas este todo universal é composto de unidades ( as almas) e cada uma é um elemento individual deste todo, portanto cada um com sua individualidade. Se fosse só um todo, as almas não teriam nem inteligência e nem qualidades próprias. Então, se há coisas distintas, se existe bem, o mal, sábios, ignorantes, felizes e desgraçados, alegres e tristes, levianos e sérios, fica evidente que há individualidade.

Dizer que há a vida eterna, é correto quando se diz que a vida do espírito é eterna, mas a do corpo é transitória, passageira. Portanto depois que o corpo morre, a alma retorna à vida eterna.

O MOMENTO DA SEPARAÇÃO: diferente do que muitos possam julgar, essa separação não é dolorosa. Freqüentemente o corpo sofre mais durante a vida do que no momento da morte. Neste momento da morte, a alma nada sente, ao contrario, dependendo da evolução do espírito, para ele é uma "festa" este momento, um alivio porque vê chegar o fim de um exílio.

Na morte natural, que acontece quando se esgota a atividade orgânica em conseqüência da idade, o espírito deixa o corpo sem o perceber. Seria como uma lâmpada que se apagasse por falta de energia.

Isto acontece gradualmente. Não existe uma linha divisória e brusca. Ou seja, não há esse desligamento de repente. Os dois estados se chocam e se confundem de tal maneira que o espírito se desprende pouco a pouco destas amarras. Eles se soltam e não se rompem. Para uns isso é mais rápido e pode-se dizer que para o espírito, é o alivio, mas em outros casos, naqueles que viveram a vida muito material e sensual, este desligamento pode ser sim demorado e durar dias, semanas e até meses, o que não implica a existência no corpo de nenhuma vitalidade e nem a possibilidade de retorno à vida , mas fica só a persistência de uma afinidade entre o corpo e o espírito. Falando de forma diferente, quanto mais material foi e é o espírito, mais ele se agarra neste momento à vida material que acaba atrapalhando e prolongando este momento.

Quando há uma atividade intelectual, moral, uma elevação de pensamentos, mesmo ainda em vida, inicia-se o desligamento e quando chega o momento definitivo, ele é quase instantâneo.

Exemplo: num leito já a muito tempo e pronto para desencarnar, os liames, as amarras são desatadas pouco a pouco e o espírito, mesmo que ainda preso à vida do corpo, já passa e vê o lado espiritual, passa mais tempo do lado de lá do que o de cá....por isto que muitos começam a dizer que viu pessoas que já se foram etc...são na verdade amigos, parentes etc...que vem ao seu retorno, vem espera-lo.

Muitas vezes também acontece de o corpo ainda ter vida, porque o coração ainda bate e envia o sangue ao corpo, portanto ele ainda reage, mas o desprendimento já aconteceu e o espírito está liberto.

O homem neste estado não tem mais a consciência de si mesmo, mas lhe resta ainda um momento de vida, mas devido ao coração. É uma máquina que o coração põe em movimento, sem a necessidade da alma. No momento da morte, a alma sente muitas vezes que está sendo separadas as amarras, então ele até ajuda se esforçando pra que isto aconteça o mais rápido possível, porque parcialmente separado já do corpo, ele vê o futuro se desenrolar à sua frente e goza o estado de espírito liberto.

A sensação que o espírito tem quando se vê do outro lado, em espírito e livre do corpo, é muito diferente de um para outro. Se ele fez o mal e consciente disto, sentirá uma grande vergonha por isto num primeiro momento e para o justo será outra coisa, ele se sentirá aliviado e cumpridor de uma tarefa. Pode também se encontrar imediatamente num primeiro momento com os espíritos amigos de afeição, vê também a muitos que ele perdeu de vista por causa do seu reencarne na Terra, vê os que estão na erraticidade, bem como vê os que ficaram na Terra.

Quanto ao problema da morte por casos de acidentes ou mortes violentas, a separação também é de tempo muito curto. A questão aí é de consciência, ou seja, se ele perde ela exatamente no momento do fato, o desligamento cessa rápido mas se ele após o fato, ainda na agonia do corpo, mantém essa consciência, ou seja, sabe e sente o que o corpo está sentindo, então a separação demora um pouco mais e só se completa quando cessa toda a consciência. Só que acontece o seguinte: mesmo ele tendo essa consciência, só ao ver e antever a morte, ele acaba perdendo ela antes mesmo do corpo cessar a vida....isso acontece...

Há uma perturbação natural neste instante. O espírito deixando o corpo, passa por isto. Isto vai também depender muito do que ele é, ou seja, quanto mais evoluído e sabedor dos fatos e desligado das coisas materiais, mas rápido ele se vê num estado bom e ao contrario, demorará muito para isto. Ficará com toda a impressão da matéria ainda predominando em seu espírito. Pensará que está vivo etc...

O conhecimento do espiritismo, isso que estamos fazendo, estudando, será também muito importante porque ao acontecer o fato, com certeza, você lembrará e saberá o que está acontecendo, mas ainda a pureza da consciência e a prática do bem serão as que exercerão a maior influência neste sentido.

Este momento, é um de muita confusão, a alma sempre necessitará de um tempo para entender o que acontece. Mais ou menos como depois de um sono muito profundo, você acorda e precisaria de um tempo para tomar sentido das coisas. Isto pode ser muito variável e pode ser de poucas horas, de dias e até de muitos anos.

Isto acontece também, diferentemente de acordo com o tipo de morte. Nas mortes violentas, por suicídio, suplício, acidentes, ferimentos etc... o espírito é surpreendido e se espanta. Não acredita que esteja morto, e teima que não morreu. Vê o seu corpo, sabe que é dele mas não aceita que está separado dele. Procura as pessoas amiga, fala com elas e não compreende porque elas não lhe respondem. Este estado fica até o completo desligamento do corpo e do espírito então só aí ele vai entender que não faz mais parte dos vivos. Enquanto existir uma amarra, um fluido ligando ainda o espírito à matéria, ele fica nesta situação. Li a muito tempo atrás um caso de uma alma que ficou anos vivendo junto ao corpo no cemitério, saia de lá, ia a outros locais mas sempre amarrado ao corpo material e só depois de muito tempo é que entendeu e se soltou.

Isto se explica porque para ele, que é surpreendido pela morte que não esperava, fica aturdido com a mudança brusca que se opera nele. Para ele a morte é algo que acaba, aniquila e como ele se vê pensando, vendo, escutando, ele se acha vivo. Se ilude então e ainda por cima se vê num corpo igual ao que teve em vida e como ele ainda não se preocupa em verificar a substância deste corpo, ele fica achando que está vivo. Quando ele tentar apalpar e pegar este corpo espiritual e perceber que ele não é sólido e totalmente diferente do que ele imaginava, vai se surpreender. É mais ou menos o caso dos sonâmbulos inexperientes que se acham acordados porque estão vendo e pensando. Eles que acham que dormir é perder totalmente as faculdades, então, não estão dormindo, mas estão.....Há espíritos que são assim. Não queriam morrer, sabiam que estavam doentes mas jamais pensando na morte, aí de repente se vêem já morto, assiste todo o seu funeral como se fosse um funeral de um estranho, comenta, ouve comentários de pessoas falando dele próprio, até o momento em que percebe toda a verdade.

Encerrando, diria que essa perturbação não é penosa para quem tem o conhecimento do que vai acontecer, mas principalmente que pautou por uma vida boa e voltada para o bem. É mais ou menos como acordar depois de uma noite de sono bem dormido, ao contrário dos que foram diferentes, levaram uma vida ruim e sem ainda o conhecimento, acordará cheio de angustia e ansiedade. Quanto as mortes coletivas, observa-se que nem todos que morreram juntos se revêem imediatamente. Cada um vai para um lado no momento da perturbação que se segue e procuram os que lhe são do seu afeto.

Vou agora repassar a vocês, um breve estudo também realizado por alguém que aqui também participa deste estudo. Nada do que irão ler vai contra o que já foi dito acima, ao contrario, reitera.

Separação do espírito do corpo físico no instante da "morte":

_No retorno à espiritualidade, a alma conserva a sua individualidade e seu envoltório semimaterial, o perispírito. Conserva então, a aparência e o grau de entendimento em que se encontra quando "morre". _Segundo seu atual estágio de evolução também, é capaz de compreender e aceitar melhor o que lhe acontece nesta mudança do mundo físico para o mundo espiritual... _ "É lógico admitir que quanto mais o espírito estiver identificado com a matéria, mais sofrerá por separar-se dela". _E quanto maior for o seu grau de desenvolvimento, tanto mais sutil será o seu envoltório perispiritual, podendo este tomar a forma que desejar não sendo necessariamente o de seu último envoltório físico. _Também quanto maior for seu grau de entendimento, tanto mais lhe será concedido em lembranças atuais e passadas, assim como de consciência do seu estado. _Vemos então, que a separação entre o corpo e alma durante sua passagem para o plano espiritual está invariavelmente condicionada ao grau evolutivo em que se encontra o espírito que desencarna. _O tempo em que o desprendimento espiritual se faz, naturalmente também é relativo a estas condições, podendo ser imediato ou demorar dias ou meses, por exemplo. No caso da personagem que exemplifica uma passagem brusca num acidente, geralmente o desprendimento é mais rápido do que numa passagem de uma doença crônica, pois neste caso, o espírito vai se desligando de forma mais gradual. _A "tomada de consciência" do ocorrido também é relativa e pode ser quase instantânea ou secular. Vemos que, tomar consciência da desencarnação, não e um fato vinculado necessariamente ao desencarne. Tem pessoas que passam muito tempo sem saber sequer que já morreram para o plano físico, imaginam mesmo estar num estado de sonho ou pesadelo. Alguns necessitam até de um estado de sonolência induzido por período indeterminado até estarem recompostos e estruturados para compreender sua passagem. _Assim, irmãos, em poucas palavras, tentamos fazer breve elucidação quanto ao desenlace entre a matéria (como a chamamos) e o espírito no retorno ao plano da vida espiritual. _Apesar das diferenças relativas às necessidades e merecimentos de cada um, fica claro, entretanto, o amparo incondicional da misericórdia Divina. ------------------------------------------------------------------------

 

O estudo de hoje foi mais uma vez dentro do Livro dos Espíritos, uma das obras básicas da doutrina, segundo Allan Kardec.

PEDRO OZORIO - Casa Branca - SP 02/01/2003