|
Em
algum lugar no mundo,
vivia uma mulher que tinha um sonho.
Sonhava que, um dia, iria viver um grande amor. Por mais efêmeros
que fossem esse sonhos.Por mais que a chamassem de tola e que amor é
coisa de novela. Não se importava com o que lhe diziam. Com os rótulos que lhe
eramatribuídos. Tinha coragem para verbalizar que tinha um sonho.
E que era um sonho de amor.
Sonhava que, em algum lugar, existia alguém que a esperava, que
também desejava encontrá-la. Ela era sua amada. Ele era
seu amado.
Embora não soubessem onde e quando iriam se
encontrar. Acreditava que, um dia, em alguma circunstância,
estariam diante um do outro e se reconheceriam no primeiro
instante em que seus olhos se tocassem.
Haveria um brilho diferente no olhar de cada um, cujo código apenas
eles, aprendizes da espera, saberiam decifrar.
Ela o procurava em cada olhar, em cada novo encontro, nas entrelinhas
de cada relacionamento.
Sentia saudade de alguém que não conhecia. Recordava o futuro.
Por maiores que fossem os desencontros, o sonho a ajudava a perseverar
na busca. Acreditava que quando o encontrasse tudo se
tornaria mais belo. Que a cara da vida seria mais
risonha. Que o mundo se tornaria mais viável.
Isso fazia parte do sonho, e tinha liberdade para sonhar o que
quizesse.
Os dias não lhe pareciam iguais. Para quem tem um sonho, cada
dia é novo, porque vem com ele a possibilidade do encontro com o
objeto da espera.
Era feliz porque tinha um sonho.
E quem sonha acredita sinceramente já possuir o que deseja.
Ele....
Em algum lugar do mundo, vivia um homem que tinha um sonho.
Sonhava que um dia iria viver um grande amor. Por mais efêmeros que
fossem seus relacionamentos.
Por mais que lhe chamassem de tolo e dissessem que amor era coisa
de
novela.
Não se importava com o que lhe diziam. Com os rótulos que lhe
eram
atribuídos. Era corajoso o bastante para assumir que tinha um
sonho
de amor.
Sonhava que, em algum lugar do mundo, existia uma mulher que já o
amava.
Não
sabia onde ela estava,
mas acreditava que viria, um dia.
Que traria o prazer e a vida que nenhuma outra havia trazido.
Também para ele, cada dia era um dia novo porque o sonho lhe dizia
que poderia encontrá-la a qualquer momento.
Também ele era feliz, porque, em alguma região de seu sonho, ela já
estava com ele. Não a conhecia, mas sentia a falta
dela. Ele a procurava em cada olhar. Em todos os
lugares. Não a encontrava,
mas tinha um sonho.Quem sonha, busca.
O tempo...
Muitos
dias se passaram.
Semanas...
Meses...
Anos...
Com o tempo, vieram muitos encontros, que se foram sem deixar a
mínima pista do amor que sonharam encontrar.
Em algum ponto do caminho, depois de tanto buscarem, o peso da
descrença esmagou o sonho.
Entupiu as veias onde a vida se misturava com a esperança.
E
só uma coisa não pode faltar ao sonhador:
A esperança.
Esqueceram o ideal.
Buscaram a cômoda e definitiva companhia de outras pessoas,
que nada tinham a ver com seus sonhos.
Concordaram com aqueles que lhes chamaram de tolos. Sentiram-se
enganados, porque esperaram durante muito tempo algo que nunca
encontraram.
Que já acreditavam sequer existir. Acostumaram-se a ter só
realidade, como a maioria das pessoas. Não se sentiam mais
felizes e todos os dias pareciam absurdamente iguais.
O (des)encontro...
Em certa ocasião, num mesmo lugar do mundo, passaram um pelo
outro.
Ele voltou e pediu uma informação qualquer a ela. Pela primeira
vez, estavam diante do que sempre buscaram. Pela primeira vez,
seus olhos se tocavam.
Déja-vu: Ao olharem nos olhos um do outro, tiveram a impressão
de já terem
caminhado naquele momento. Desconcerto... Por alguns segundos,
emudeceram. Como se nenhuma pergunta houvesse sido feita. A
emoção gritava algo que a razão não conseguia ouvir.
Só a pele.
Ela deu a informação.
Ele agradeceu.
Ao se afastarem, sentiram vontade de olhar para trás.
De voltar.
De dizer alguma coisa que a boca não sabia.
Não olharam.
Não voltaram.
Não disseram mais nada.
Cada um seguiu seu rumo.
Confundiram-se novamente à multidão, onde se procuraram
durante tantos anos.Juntaram-se para sempre ao exército dos
covardes.
Que têm armas voltadas para o melhor deles próprios. E que as
disparam diante de qualquer possibilidade de ser feliz.
E disseram para os filhos de seus filhos que amor era coisa de novela.
Autor Desconhecido |